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certeza absoluta~

Um argumento é uma certeza absoluta se, e somente se, a hipótese de todas as infinitas premissas do argumento, mesmo aquelas ocultas, se tornasse uma verdade, depois da conclusão provada. Veja este exemplo:
Sem olhar, Laurêncio tirou 100 bolinhas de um saco de 100. Das bolinhas que Laurêncio tirou 100 eram vermelhas.
Laurêncio colocou todas as bolinhas de volta no saco.
Portanto, a próxima bola que Laurêncio puxar para fora da bolsa será vermelha.
A premissa da hipótese tornou-se, realmente, uma conclusão provada. Portanto, esse argumento é uma certeza. Mas não é uma certeza absoluta, pois Laurêncio não observou todas as características das bolinhas para constatar que todas as premissas desconhecidas foram satisfeitas. As características ocultas são:
- 25 bolinhas estão pintadas com uma tinta com características similares a da pedra Alexandrita que muda de cor conforme o tipo de iluminação. Quando estão sob a luz do Sol a cor delas é vermelha, mas quando é noite sob a luz de lâmpada incandescente elas são de cor verde .
- Outras 25 bolinhas estão pintadas com uma tinta sensivel a temperatura . Quando a temperatura ambiente esta acima de 17° Celsius, elas são de cor vermelha. Quando a temperatura ambiente esta abaixo de 17° Celsius, elas são de cor azul.
- Outras 25 bolinhas estão pintadas com uma tinta sensivel a umidade relativa do ar. Quando a umidade esta acima de 30%, elas são vermelhas. Mas quando a umidade esta abaixo de 30% elas são de cor amarela.
- As ultimas 25 bolinhas são pintadas com uma tinta sensivel ao Tempo. Hoje elas são vermelhas, mas a passagem do tempo ira fazer elas mudarem para a cor branca em tres meses.
Quando Laurêncio tirou as 100 bolinhas do saco pela primeira vez ,foi há seis meses , numa temperatura de 25° Celsius, numa umidade relativa do ar de 40%, durante o dia, sob o Sol. Então, Laurêncio colocou todas as bolinhas de volta no saco, e teve a certeza de que a próxima bolinha que tiraria do saco seria vermelha.
Mas ele aguardou até hoje para tirar a próxima bolinha. No entanto, hoje, a temperatura é de 10° Celsius, a umidade relativa do ar de 25%, agora é noite e está sob a luz de uma lâmpada incandescente.
Quando Laurêncio tirar a próxima bolinha de saco, terá uma surpresa, pois sua certeza foi destruída por premissas ocultas que ele desconhecia, e ele não vai tirar uma bolinha vermelha do saco.
Pode-se concluir com o exemplo que qualquer argumento pode ter um numero indeterminado ou até infinito de premissas ocultas, podendo mudar um argumento que era uma certeza, para uma convicção ou até para algo equivocado .
O exemplo acima mostra a razão pela qual, na ciência, não existe certeza absoluta, pois sempre existe algum grau de incerteza em todas as observações e medições. Não existem certezas incontestáveis, elas podem ser corrigidas, aprimoradas e abandonadas ao longo dos tempos. Isso é conseguido através de mais evidências, que tornam a certeza uma verdade.

(…)Já viu os cartazes de sessenta metros no campo, fora da cidade? Sabia que antigamente os outdoors tinham apenas seis metros de comprimento? Mas os carros começaram a passear tão depressa por eles que tiveram de espichar os anúncios para que pudessem ser lidos.

— Eu não sabia disso! — riu Montag abruptamente.

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

Da janela do ônibus avistei um outdoor com os dizeres “Beba Coca-Cola” em letras garrafais. Sempre achei esses outdoors de um puta mau gosto. Não que eu fosse chegado em coisas belas e harmoniosas, realmente, odiava tudo que os outros julgavam de bom gosto. Mas um urso branco bebendo refrigerante invadindo seu horizonte era realmente desesperador.
O ônibus cruzou a avenida principal e começou a descer, as ruas foram estreitando-se a medida que o tempo passava. A paisagem modificava-se, os grandes prédios e supermercados agora davam lugar as casas de madeirite, ao mosaico de tijolos vermelhos e botecos em cada esquina. Pelo menos ali o urso branco não beberia coca-cola.
(.)

LÍLITCHKA! - MAIAKOVSKI

Em lugar de uma carta

Fumo de tabaco rói o ar.
O quarto -
um capítulo de inferno krutchônikh.
Recorda -
Atrás desta janela

pela primeira vez
apertei tuas mãos, atônito.
Hoje te sentas,
no coração - aço.
Um dia mais
e me expulsarás,

talvez, com zanga.
No teu “hall” escuro longamente o braço,
trêmulo, se recusa a entrar na manga.
Sairei correndo ,
lançarei meu corpo à rua.

Transtornado,
tornado
louco pelo desespero.
Não o consintas,
meu amor,
meu bem,

digamos até logo agora.
De qualquer forma
o meu amor
- duro fardo por certo -
pesará sobre ti
onde quer que te encontres.

Deixa que o fel da mágoa ressentida
num último grito estronde.
Quando um boi está morto de trabalho
ele se vai
e se deita na água fria.
Afora o teu amor

para mim
não há mar,
e a dor do teu amor nem a lágrima alivia.
Quando o elefante cansado quer repouso
ele jaz como um rei na areia ardente.
afora o teu amor

para mim
não há sol,
e eu não sei onde estás e com quem.
Se ela assim torturasse um poeta,
ele
trocaria sua amada por dinheiro e glória,

mais a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.

Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,

e os dias vãos - rodopiante carnaval -
dispersarão as folhas dos meus livros…
Acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar,
respiração opressa?

(…)

 LÍLITCHKA! - MAIAKOVSKI
Siempre hemos vivido en la miseria, y nos acomodaremos a ella por algún tiempo. Pero no olvide que los obreros son los únicos productores de riqueza. Somos nosotros, los obreros, los que hacemos marchar las máquinas en las industrias, los que extraemos el carbón y los minerales de las minas, los que construimos ciudades…¿Por qué no vamos, pues, a construir y aún en mejores condiciones para reemplazar lo destruido? Las ruinas no nos dan miedo. Sabemos que no vamos a heredar nada más que ruinas, porque la burguesía tratará de arruinar el mundo en la última fase de su historia. Pero -le repito- a nosotros no nos dan miedo las ruinas, porque llevamos un mundo nuevo en nuestros corazones. Ese mundo está creciendo en este instante

Buenaventura Durruti

(via elfrioacerodelfusil)

Estrela

Escutai! Se as estrelas se acendem
será por que alguém precisa delas?
Por que alguém as quer lá em cima?
Será que alguém por elas clama,
por essas cuspidelas de pérolas?
Ei-lo aqui, pois, sufocado, ao meio-dia,
no coração dos turbilhões de poeira;
ei-lo, pois, que corre para o bom Deus,
temendo chegar atrasado,
e que lhe beija chorando
a mão fibrosa.
Implora! Precisa absolutamente
duma estrela lá no alto!
Jura! Que não poderia mais suportar
essa tortura de um céu sem estrelas!
Depois vai-se embora,
atormentado, mas bancando o gaiato
e diz a alguém que passa:
“Muito bem! Assim está melhor agora, não é?
Não tens mais medo, hein?
“Escutai, pois! Se as estrelas se acendem
é porque alguém precisa delas.
É porque, em verdade, é indispensável
que sobre todos os tetos, cada noite,
uma única estrela, pelo menos, se alumie.
do maiakovski

"01:24h da madrugada, um cão revira o saco de lixo encostado rente a parede sem que ninguém perceba, encontra o resto de uma refeição e parte. Feliz. Enquanto isso, sobre uma cama duas mãos se encontram, instintivamente, no meio de lençóis e roupas espalhadas. Silêncio.

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